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IA na educação pública: novas regras do CNE ampliam debate sobre capacitação de professores no Ceará e no Brasil

O uso da inteligência artificial nas escolas brasileiras ganhou um novo capítulo regulatório. O Conselho Nacional de Educação aprovou, em 1º de setembro, novas diretrizes para o uso de IA no ambiente educacional — entre elas, a proibição do uso de inteligência artificial para corrigir e atribuir notas a redações e provas dissertativas em todas as etapas de ensino. A medida amplia um debate que já vinha crescendo entre especialistas cearenses: não basta ter a tecnologia. É preciso formar os profissionais para usá-la.

A regulamentação chega num momento revelador. Levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em outubro de 2025, mostra que cerca de 56% dos professores brasileiros já utilizam recursos tecnológicos para preparar aulas e buscar novas estratégias de ensino — percentual 20 pontos acima da média dos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, 64% dos professores afirmam não possuir conhecimentos ou habilidades suficientes para utilizar ferramentas de inteligência artificial. O entusiasmo com a tecnologia chegou antes da preparação para usá-la.

Para Flávia Ferreira, professora, Mestre em Educação e Diretora Executiva Educacional da G&T Controller, os dados revelam uma contradição que precisa ser enfrentada de frente:

“Mais do que disponibilizar uma ferramenta de inteligência artificial, é preciso preparar os profissionais para compreender seus recursos, limitações e resultados. A tecnologia pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas sua utilização exige conhecimento para interpretar as informações e avaliar cada situação dentro do seu contexto. Nesse sentido, a capacitação é fundamental para que a IA seja utilizada de forma crítica, estratégica e responsável.”

A visão de Flávia — construída ao longo de uma trajetória que passou pela sala de aula, pela direção e coordenação pedagógica e pela assessoria a municípios cearenses — é clara: a inteligência artificial deve ser encarada como ferramenta de apoio ao trabalho dos profissionais da educação, e não como substituta da análise humana. Professores e gestores precisam desenvolver competências para avaliar informações, compreender os resultados produzidos pelas ferramentas e reconhecer suas limitações.

O desafio, porém, vai além da sala de aula. Para Cláudio Falcão, CEO da G&T Controller e especialista com mais de 20 anos de experiência em gestão pública, o risco real está em municípios que investem em tecnologia sofisticada sem resolver primeiro o que está embaixo:

“Existe, sim, o risco de municípios investirem em tecnologias sofisticadas sem antes resolver questões básicas de infraestrutura, conectividade e capacitação. Muitas vezes, há uma preocupação em adquirir a ferramenta mais moderna, quando o principal problema ainda está nos processos. Tecnologia, sozinha, não transforma uma gestão. É fundamental fazer um diagnóstico prévio, entender a infraestrutura disponível, como os processos funcionam, quem utilizará a solução e quais informações precisam ser produzidas. Só a partir dessa análise é possível construir uma transformação digital realmente sustentável e capaz de gerar resultados.”

As novas diretrizes do CNE também estabelecem limites para o acesso de crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental — até o 5º ano — a ferramentas de IA sem supervisão. Após publicação da resolução no Diário Oficial e homologação pelo MEC, sistemas de ensino e instituições educacionais terão prazo de 12 meses para se adequar. As proibições, no entanto, terão aplicação imediata.

Para o Ceará — estado que investe na digitalização da gestão pública, lidera indicadores educacionais no Nordeste e tem 87 das 100 melhores escolas públicas do Brasil — o debate não é abstrato. É uma agenda concreta, que exige do estado, dos municípios e das instituições de ensino uma resposta tão rápida quanto a própria tecnologia que tentam regulamentar.

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