O Ceará ganhou ontem mais um capítulo na sua agenda de internacionalização. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) recebeu uma delegação de empresas italianas articulada pela Italian Trade Agency (ITA), com foco em três frentes estratégicas: data centers, hidrogênio verde e geração de energia eólica offshore. O encontro não resultou, até o momento, em contratos ou valores de investimento anunciados — mas abriu conexões comerciais concretas entre representantes cearenses e as empresas 2M Project, CESI, SIEL e TECHNITAL.
A escolha dos temas não foi por acaso. O consultor de Energia do Sistema FIEC, Jurandir Picanço, apresentou aos empresários italianos exatamente os três eixos onde o Ceará tem diferenciais competitivos que poucos territórios do mundo conseguem apresentar juntos: abundância de energia renovável para produção de hidrogênio verde, conectividade e infraestrutura logística para data centers de hiperescala, e potencial eólico offshore no litoral cearense que ainda está no início da sua exploração comercial.
Para Joaquim Rolim, gerente de Desenvolvimento Sustentável do Sistema FIEC, o evento marca uma virada na forma como o Ceará está se posicionando internacionalmente:
“É um evento muito importante por tratar de temas relevantes, como transição energética, descarbonização e energia. Além disso, conta com a participação de empresas italianas que têm interesse em realizar negócios com empresas cearenses.”
O contexto que emoldurou as apresentações dá a dimensão do que está em jogo. Em agosto, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou um projeto da Voltalia Energia do Brasil para instalar um data center na ZPE do Pecém com R$ 181,7 bilhões em investimento previsto, além de 2.300 empregos diretos durante a implantação e 400 na operação. O projeto não é resultado do encontro desta semana — já estava aprovado — mas serve como referência concreta do tamanho dos empreendimentos que o Pecém está atraindo.
A cooperação com a Itália já tem precedente positivo no estado. Paulo André Holanda, diretor regional do SENAI Ceará, lembrou a parceria com a Enel Ceará como exemplo do que esse tipo de intercâmbio pode gerar:
“Com esse intercâmbio, trouxemos o melhor para o nosso estado. Construímos juntos o nosso Centro de Treinamento Avançado, que hoje capacita e entrega mais de 10 mil certificações profissionais por ano. E assim trabalhamos, transformando o diálogo em melhoria direta para as indústrias e as pessoas.”
O avanço da agenda energética do Ceará também exige expansão da infraestrutura elétrica. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicado em junho propõe adicionar até 4 GW de capacidade para atender cargas eletrointensivas na região do Pecém a partir de 2032 — com investimento de aproximadamente R$ 5,68 bilhões em novas instalações da Rede Básica, incluindo uma subestação de 500 kV e 1.848 km de linhas de transmissão.
A rodada empresarial desta quarta-feira abre agora uma etapa decisiva: transformar os contatos abertos entre empresas cearenses e italianas em negócios concretos. É o Ceará ampliando a sua agenda internacional — um encontro de cada vez.





