O Ceará virou um exportador global de verdade. Em 2025, o estado vendeu seus produtos para 149 países diferentes — dos Estados Unidos ao Japão, passando por Itália, México, China e Índia — e atingiu a marca histórica de US$ 1,05 bilhão exportado apenas para os americanos. Os dados, consolidados pelo Ipece com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, revelam um perfil exportador cada vez mais diversificado e um estado que não depende mais de um único mercado para crescer.
O número que mais impressiona está nos EUA. Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações cearenses em 2025, com US$ 1,05 bilhão vendidos e participação de 46% na pauta de exportações do estado — resultado de um crescimento de 59,5% em relação ao ano de 2024. Para colocar em perspectiva: em 2024, o Ceará exportava US$ 659 milhões para os americanos. Em um único ano, esse número saltou para mais de US$ 1 bilhão.
Mas o crescimento não ficou restrito a um único mercado. México (US$ 162,3 milhões), Itália (US$ 93,0 milhões) e Países Baixos (US$ 90,4 milhões) aparecem em seguida entre os principais destinos — e juntos com os EUA concentram 61,1% das exportações cearenses. A diversificação geográfica, porém, é o dado que mais chama atenção de quem analisa o comércio exterior do estado com olhar estratégico.
Na Ásia, o crescimento é ainda mais expressivo proporcionalmente. As exportações do Ceará para o bloco asiático somaram US$ 164,34 milhões em 2025, crescimento de 7,14% em relação a 2024. A China liderou o bloco com US$ 86,49 milhões — crescimento de 50,43% —, seguida pela Índia, com alta expressiva de 106,58%, e pelo Japão, com crescimento de 35,89%.
O perfil da pauta exportadora cearense combina força do agronegócio com diversificação industrial. Frutas tropicais — especialmente melão e manga do Vale do Jaguaribe —, camarão, calçados, têxteis e produtos da indústria de transformação sustentam um portfólio que permite ao estado acessar mercados com perfis de consumo muito diferentes simultaneamente. Essa variedade é um ativo estratégico em tempos de instabilidade geopolítica: quando um mercado oscila, outros sustentam o fluxo.
A infraestrutura que viabiliza esse desempenho também está em expansão. O Complexo do Pecém, reconhecido como principal parceiro portuário do Brasil pela ChinaLand — uma das maiores armadoras do transporte marítimo internacional —, tem ampliado sua capacidade de movimentação e estabelecido novas rotas regulares. Com a Transnordestina chegando ao porto e o acordo Mercosul-UE abrindo o mercado europeu com tarifas zeradas, a tendência é de aceleração do volume exportado nos próximos anos.
O horizonte aponta para novos mercados também. Com o H&F Group catari prospectando a ovinocultura cearense para 22 países árabes, o Ceará de 2026 está construindo rotas comerciais que vão muito além dos destinos já consolidados — do Golfo Pérsico à Europa, passando pelos EUA e pela Ásia. Um estado que já vende para 149 países e ainda tem muito espaço para crescer.
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FONTE: Ipece Informe nº 276 (ipece.ce.gov.br), TrendsCE (trendsce.com.br), GCMais (gcmais.com.br) e Portal Ceará (portalceara.jor.br)






