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Do algodão ao Saanen: como o Cariri cearense emergiu como polo de genética animal e negócios do Nordeste

A 82ª Expocrato encerrou ontem (19) deixando um legado que vai muito além dos R$ 150 milhões em negócios movimentados durante os nove dias de feira. O encerramento da Expocrato 2026 não é um ponto final: é o início do ciclo de implementação do que foi negociado, financiado e aprendido ao longo da semana. O Cariri cearense saiu da feira consolidado como o maior polo de diversidade genética animal do interior do Nordeste — e com provas concretas de que a região está se tornando uma nova fronteira do agronegócio brasileiro.

Os números da 82ª edição impressionam. A expectativa da organização é que, ao longo dos nove dias de exposição, sejam movimentados mais de R$ 150 milhões em negócios — superando os R$ 140 milhões registrados na edição anterior, que também gerou cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos na região do Cariri. A feira reuniu criadores, investidores e produtores rurais de sete estados brasileiros em leilões, concursos leiteiros e pistas de julgamento que evidenciaram o alto padrão genético dos rebanhos apresentados.

A genética foi o grande protagonista da semana. A 4ª Super Copa HCG mostrou que o Cariri tem a melhor genética Saanen do Nordeste em pista; a Copa HCG Santa Inês reafirmou a raça nativa mais numerosa do país; e os quatro leilões com animais de sete estados fizeram do Cariri, nesta semana, o maior polo de diversidade genética animal de todo o interior do Nordeste. Um reconhecimento que não vem do discurso — vem dos próprios criadores que cruzaram o Brasil para chegar ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato.

Mas o que torna o Cariri especialmente estratégico vai além dos animais. O algodão da Embrapa de Barbalha é talvez o dado mais impactante dessa nova fronteira agrícola. Desde 2019, pesquisadores desenvolvem no Campo Experimental da Embrapa Algodão em Barbalha uma nova base tecnológica para a produção de algodão no Ceará, com cultivares transgênicas adaptadas ao semiárido e custo de produção estimado em um terço do praticado no Cerrado — com mais de 1.800 hectares cadastrados em municípios do Cariri. Uma revolução silenciosa que reposiciona o semiárido cearense no mapa do algodão nacional.

O trigo adaptado ao semiárido, testado pela Embrapa de Barbalha desde 2024 com resultados positivos nos primeiros experimentos, pode ser o próximo capítulo dessa história: uma cultura completamente nova para o sul do Ceará, que poderia transformar o Cariri numa das poucas regiões semiáridas do mundo com produção comercial de trigo. Se confirmado, seria uma das maiores viradas agrícolas da história do Nordeste.

A Expocrato 2026, ao reunir genética de elite, tecnologia da Embrapa, crédito do BNB e conhecimento da Arena Tec num único evento, foi o palco onde todas essas apostas convergiram — e onde criadores, produtores e técnicos puderam enxergar o Cariri não como ele é hoje, mas como ele pode ser em 2030.

A parceria inédita firmada durante a Expocrato com a Universidade Federal do Cariri (UFCA) para desenvolvimento de estudos científicos e ações de bem-estar animal representa mais um passo nessa direção: aproximar academia, campo e mercado num ecossistema que já prova ser capaz de competir com os grandes polos do agronegócio nacional.

O Cariri que durante décadas foi visto como periferia do agronegócio cearense está reescrevendo sua própria história — da pecuária de subsistência à genética de elite, do algodão do Cerrado replicado no semiárido ao trigo que ninguém apostava. A nova fronteira do agronegócio nordestino tem endereço: sul do Ceará.

FONTE: Portal AgroMais, Web Rádio Ceará Rural e Agência Caririceará

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