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Pele de tilápia do Castanhão vira curativo: como Jaguaribara une inovação, sustentabilidade e economia circular

Com seus pouco mais de dez mil habitantes, a cidade de Jaguaribara, às margens do açude do Castanhão, assiste ao nascimento de uma iniciativa que traduz o que há de mais moderno em termos de modelo de desenvolvimento: a associação de esforços reunindo a capacidade inovadora da academia, os fundamentos da economia circular e o empreendedorismo comprometido com a sustentabilidade.

Há mais de dez anos, sob a coordenação do Professor Odorico Moraes e do pesquisador Edmar Maciel, mais de trezentos e cinquenta pesquisadores trabalharam em experimentos voltados para possibilitar o uso da pele da tilápia na medicina regenerativa. Isso mesmo — a pele do peixe produzido no Castanhão transformada em curativo. O que poderia soar como ficção científica tornou-se realidade depois de uma década de pesquisa rigorosa e persistente dentro da Universidade Federal do Ceará.

A iniciativa inovadora da UFC e de seus pesquisadores possibilitou que os muitos produtos nascidos deste experimento se convertessem em uma oportunidade de negócio real, assumida pela BIOTEC Medical. Quando em plena operação, a empresa vai gerar cerca de 200 empregos diretos, faturar mais de R$ 80 milhões por ano e injetar mais de R$ 10 milhões diretamente na economia de um município do interior cearense. Para uma cidade de dez mil habitantes, esse impacto é transformador.

O projeto é igualmente interessante do ponto de vista ambiental — e é aqui que o conceito de economia circular ganha corpo de forma concreta. A cabeça, a pele e as vísceras dos peixes representam mais de 70% do peso total do animal. Esses resíduos precisam de destinação adequada — e, na maior parte das vezes, acabam tratados como rejeito da produção do pescado. O aproveitamento da pele para uso na medicina regenerativa vai exatamente ao encontro dos desafios da sustentabilidade: transforma descarte em insumo nobre, economicamente viável e socialmente relevante.

Atualmente, com o apoio da Prefeitura de Jaguaribara, a empresa avança na elaboração dos projetos de implantação e nas tratativas com a ADECE e com os órgãos ambientais para iniciar as obras e os investimentos necessários à sua operação. O caminho até aqui já demonstra algo essencial: quando se juntam pesquisa inovadora, capacidade empreendedora e disposição política, o desenvolvimento sustentável pode sair do papel e se tornar realidade concreta — mesmo nas cidades pequenas do interior cearense.

Jaguaribara não está esperando o desenvolvimento chegar de fora. Está construindo o seu — com o que tem, com o que produz e com o que, até ontem, descartava.

Paulo Henrique Lustosa
Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UFC
Conselheiro da ACFOR

FONTE: Paulo Henrique Lustosa — artigo de opinião exclusivo para o Hub Ceará

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