Enquanto o Ceará monta um polo automotivo elétrico em Horizonte, descobre-se que o combustível do futuro pode estar bem debaixo do sertão cearense. Solonópole, município de 18 mil habitantes no sertão do Ceará, tem uma das maiores reservas de lítio do Brasil — mineral estratégico para a fabricação de baterias de veículos elétricos — e já recebe visitas de empresas canadenses, australianas e dos Emirados Árabes em busca de oportunidades de exploração.
O interesse global pelo lítio cearense já é concreto. A Subprovíncia Pegmatítica de Solonópole foi inserida na terceira fase do projeto federal de Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil, e a mineradora australiana Oceana Lithium já conduz pesquisas na região, avaliando a qualidade e quantidade do mineral presente nas rochas — primeiro estágio antes da exploração comercial.
A escala do que está em jogo é expressiva. O Ceará é o segundo estado do Brasil com o maior número de processos de pesquisa para exploração de lítio na Agência Nacional de Mineração, com mais de cem empresas pesquisando o mineral no estado, com concentração muito grande no Sertão Central.
O secretário da SDE, Fábio Feijó, já confirmou as reservas e traçou a estratégia: “Descobrimos reservas importantes de lítio. Agora, a estratégia é extrair e criar uma planta de enriquecimento para servir de matéria-prima para a futura indústria automotiva no estado.” A visão é clara: o lítio do sertão alimentando as baterias dos carros elétricos montados em Horizonte — uma cadeia produtiva inteiramente cearense.
O Ministério de Minas e Energia projeta R$ 15 bilhões em investimentos para a produção de lítio no Brasil até 2030, com o Nordeste figurando entre as regiões estratégicas para minerais críticos essenciais à economia de baixo carbono. O sertão que historicamente foi sinônimo de escassez pode se tornar um dos territórios mais valiosos da transição energética global.
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FONTE: Diário do Nordeste (diariodonordeste.verdesmares.com.br), SDE (sde.ce.gov.br) e Repórter Brasil (reporterbrasil.org.br)



