O Ceará está vivendo uma mudança de paradigma econômico — e os números provam isso. Em 2025, o estado registrou o maior crescimento percentual das exportações entre todos os estados brasileiros, alcançando US$ 2,28 bilhões em vendas externas. Mas o resultado vai além do comércio exterior: ele sinaliza uma transição econômica sustentada por investimentos em indústria, infraestrutura, energia renovável, logística internacional, turismo e inovação que vêm sendo construídos ao longo de décadas.
A transformação econômica do Ceará não começou agora. Ela teve origem nas políticas de industrialização das décadas de 1980 e 1990, ganhou escala com a implantação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém nos anos 2000, consolidou uma posição de destaque nacional em energias renováveis na década seguinte e hoje avança para atividades de maior intensidade tecnológica e maior inserção internacional.
Essa trajetória revela uma mudança estrutural que vai além dos ciclos conjunturais. O Ceará deixa de depender exclusivamente de setores tradicionais e passa a construir uma economia mais diversificada, na qual indústria, infraestrutura, energia, turismo, serviços, tecnologia e conhecimento atuam de forma complementar — sem substituir a base produtiva construída ao longo das últimas décadas, mas ampliando sua capacidade de gerar valor e competir em mercados globais.
O Pecém é o ativo que sintetiza essa transformação de forma mais clara. Integrando porto, Zona de Processamento de Exportação, siderurgia, infraestrutura energética e novos projetos industriais, o complexo tornou-se o principal ativo logístico da estratégia de internacionalização do estado. Em 2025, a siderurgia respondeu por US$ 1,18 bilhão das exportações cearenses — confirmando o papel do Pecém como plataforma de conexão entre a produção local e o mercado internacional. A parceria com o Porto de Roterdã acrescentou a esse processo conhecimento operacional, governança e visão internacional que ampliam o alcance da estratégia.
Na energia, o Ceará combina ventos constantes, elevada incidência solar, disponibilidade territorial e infraestrutura portuária — ativos que o colocam entre os protagonistas da transição energética no Brasil. O Hub de Hidrogênio Verde do Pecém reúne dezenas de memorandos com empresas interessadas em projetos de hidrogênio de baixo carbono. O desafio que se coloca agora é transformar essa vantagem natural em vantagem econômica permanente: usar energia limpa não apenas como produto de exportação, mas como elemento capaz de atrair indústrias de maior valor agregado e gerar empregos qualificados.
No turismo, o estado consolida Fortaleza como destino de negócios, eventos, gastronomia e entretenimento, enquanto o litoral ganha protagonismo com novos empreendimentos de alto padrão — como o projeto bilionário no Preá, a 15 minutos de Jericoacoara. Na perspectiva econômica, os gastos de visitantes estrangeiros são classificados como exportação de serviços: o turismo deixa de ser só lazer e passa a ser política de desenvolvimento.
No conhecimento e na inovação, a posição estratégica de Fortaleza nas conexões internacionais de dados — com 18 cabos submarinos e o maior data center das Américas em construção no Pecém — cria condições para atrair empresas de tecnologia, inteligência artificial e serviços digitais de maior valor agregado. As universidades e centros de formação são peças decisivas nesse processo: a competitividade da economia digital depende de capital humano tanto quanto de infraestrutura.
O passo seguinte está definido: transformar esses ativos em ganhos permanentes de produtividade, inovação e competitividade internacional. O Ceará reúne hoje uma combinação rara — infraestrutura logística, energia renovável, localização estratégica, capacidade industrial, conectividade digital, capital humano e vocação turística. Compreender o Ceará da próxima década é observar como essas agendas deixam de ser paralelas para compor uma única estratégia integrada de desenvolvimento.
FONTE: Portal IN — Fernando Benevides (portalin.com.br)





